A Venda
- Rogério Alves da Silva
- 22 de fev.
- 1 min de leitura

A rua ainda está deserta a estas horas,
É assim, todo santo dia da santa rotina.
Arrancado da cama como um bom robô
desperto vitimado por um cego impulso.
Caminho solitário por estas ruas e becos,
vendo o que resta da noite e o raiar do dia
e, pelas frestas das janelas, luzes fugidias
iluminam o caminho em frente às casas.
As pedras me obrigam a passos lentos e cuidadosos em meu caminhar solitário.
De frente à venda, a chave abre a porta
para mais um dia que vai até a boca da noite.
Do lado de cá do balcão, vendo de tudo,
sirvo de tudo um pouco, alugo os ouvidos,
para a prosa, para segredos e até o fiado,
chega a noite e volto para a solidão triste.
Ela, que enche a casa, me espreita sorrindo
e, pela vidraça, gosta de me ver voltar só.
A noite será longa, aprisionada no relógio,
que segura os minutos em seus ponteiros.
Rogério Alves
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